Rio de Janeiro, 23 de Novembro de 2019

Mais saudáveis do que nunca

Mais saudáveis do que nunca

Você vai ao supermercado e, entre as prateleiras de frutas, verduras e legumes, logo se depara com uma plaquinha que anuncia: "Alimentos orgânicos". Mesmo sem uma avaliação mais profunda, sua primeira impressão é de que se trata de produtos mais saudáveis. Parece óbvio abastecer ali seu carrinho. Mas você começa a observar que certos alimentos são um pouco menores e seus preços bem mais altos quando comparados aos dos tradicionais. E a variedade de produtos também deixa a desejar. Para fazer aquela sopinha de legumes especial para a família, alguns dos itens de sua receita provavelmente não vão estar à disposição. O jeito é desistir e procurar a prateleira dos produtos "normais"? Pode ser, mas não sem antes saber o que você e sua família estarão perdendo com isso.

Mais minerais

Um estudo de pesquisadores americanos comparou durante dois anos maçãs, batatas, peras, trigo e milho doce cultivados de maneira orgânica e pelo modo convencional. Apresentados em 1993 no Journal of Applied Nutrition, de Chicago, uma publicação especializada em nutrição, os resultados do estudo impressionam. Os alimentos orgânicos apresentaram 63% mais cálcio, 73% mais ferro, 118% mais magnésio, 91% mais fósforo, 125% mais potássio e 60% mais zinco, todos minerais essenciais para o desenvolvimento de seu filho. E mais supreendente ainda: os pesquisadores encontraram nos produtos orgânicos 29% menos mercúrio, substância tóxica e nociva à saúde.

Menos perecíveis

Além disso, os alimentos orgânicos duram mais e são mais saborosos. "A cenoura e a beterraba, por exemplo, são bem mais doces do que as cultivadas de maneira tradicional, e duram mais tempo na geladeira", afirma o ator Marcos Palmeira, um apaixonado pelo assunto e proprietário da Fazenda Vale das Palmeiras, em Teresópolis (RJ), onde produz alimentos orgânicos que são comercializados em supermercados e em alguns restaurantes do Rio de Janeiro. Marcos defende a agricultura orgânica porque ela respeita o tempo de desenvolvimento de cada alimento e não polui o meio ambiente. "O uso de agrotóxicos, para reduzir esse tempo, gera um resultado falso, artificial", afirma.


O problema é o preço

Embora muitos consumidores estejam dispostos a pagar mais pelos alimentos orgânicos, para a maioria deles o preço alto é um fator proibitivo na hora da compra. Essa situação tende a mudar com o tempo, quando a procura e a oferta se equilibrarem. Foi o que aconteceu nos Estados Unidos, onde os produtos orgânicos são, no máximo, apenas 10 ou 20 centavos mais caros do que os convencionais. "No Brasil, eles custam 50% a mais, em média, mas, muitas vezes essa diferença chega a 200%", diz Jorge Vailati, do Instituto Biodinâmico. É que, para se tornarem "orgânicas", as fazendas param de produzir por um tempo até o solo ficar descontaminado. Além disso, precisam investir em mão-de-obra mais qualificada e, no início, têm uma perda na produção maior quando comparada à da agricultura convencional. Tudo isso implica custos mais altos. Com o tempo, esse investimento inicial deveria ser diluído, reduzindo-se assim o preço dos produtos.Mas por enquanto o que está valendo é a lei de mercado: enquanto não houver um número maior de produtores disputando a crescente procura, os orgânicos continuarão pesando mais no bolso do consumidor.

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Paula Perim

Fonte:Crescer