Rio de Janeiro, 14 de Novembro de 2019

Olha o milho, a cocada, a tapioca quentinha...

Olha o milho, a cocada, a tapioca quentinha...
A endocrinologista e nutróloga, Ellen Simone Paiva faz algumas considerações importantes sobre os alimentos que são consumidos, diariamente, nas ruas das grandes cidades brasileiras.
 
Andar a pé pelas ruas é um “tormento” gastronômico, especialmente quando estamos com fome.
 
As opções são várias, para todos os gostos: carrinho de pipoca, de milho verde, quiosque de côco gelado, barraca de pastel, de acarajé, picolé.
 
Sem contar nas ofertas vindas diretamente das mãos de vendedores ambulantes nas ruas e praias do Brasil. Mas, quando a tentação é grande, não devemos nos guiar apenas pela aparência dos alimentos.
 
“Ao optar por comprar comida na rua, corremos o risco de ingerir alimentos sem qualidades nutricionais, e, pior, corremos o risco de ingerir alimentos contaminados”, alerta a endocrinologista.
 
Mas quem se lembraria disso ao parar num acostamento do litoral de Santa Catarina, em pleno sol do mês de fevereiro de 2005, e vislumbrar a possibilidade de tomar um caldo de cana geladinho?
 
Ninguém...
 
Até que um surto de Doença de Chagas fez mais de 25 vítimas, sendo seis fatais.
 
No início desta década, diversas matérias veiculadas pela imprensa apontavam que 100% dos acarajés de Salvador estavam contaminados com coliformes fecais, segundo pesquisas da Universidade Federal da Bahia.
 
A denúncia resultou  no estabelecimento de parcerias entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, Sebrae, Sesi e Senai para criar o Programa do Alimento Seguro -PAS. Na época, foi criado um selo de qualidade para disseminar boas práticas no preparo do alimento, com a capacitação de centenas de trabalhadoras filiadas à Associação das Baianas do Acarajé.
 
Com escolher o que comer na rua?
 
“Diante de tudo o que foi exposto, nós, evidentemente, não comeríamos na rua. Mas não quero ser terrorista. Não quero tirar o prazer de ninguém de tomar um côco gelado na praia”, afirma a médica, que também integra o International Colleges for the Advancement of Nutrition, ICAN..
 
Então, vamos lá! Afinal, quais os alimentos que podemos consumir na rua?
 
Pastel - Um bom pastel de feira ninguém resiste. São muito calóricos, mas muito saborosos. Não devem ser consumidos rotineiramente, mas aboli-los do cardápio seria um pecado. O risco das toxinas liberadas pela reutilização do óleo em  frituras sempre existe. “O consumidor deve procurar verificar se os funcionários da barraquinha estão vestidos com roupas adequadas e se o óleo utilizado para a fritura está limpo. Se chegar tarde na feira será muito arriscado pois o óleo estará sendo utilizado desde cedo  ”, alerta a médica. “Prefira os pastéis mais simples, como os de queijo ou de pizza (queijo e tomate). Pastéis de camarão, bacalhau e palmito, apesar de muito saborosos, são mais arriscados pela perecibilidade do recheio”, completa.
 
Água de Côco - A água de côco gelada é o grande barato nas praias e cidades, principalmente quando a temperatura aumenta. Seu poder de hidratação é bárbaro, pois contém potássio, frutose e a água básica. Seu risco de contaminação é menor quando ingerido no próprio côco. “As prensas para drenagem da água para os frascos incluem riscos a mais. Aquele facão usado na abertura do côco, eu não gosto nem de pensar para não me tirar o prazer...”, afirma a nutróloga.
 
Cachorro-quente - O cachorro-quente virou uma febre nas ruas de todo o Brasil. São tantos temperos e recheios que fica difícil falar sobre ele. “Apesar de saboroso, esse alimento é muito calórico e com saciabilidade rápida, ou seja, você fica logo satisfeito. Embora muitos comam dois ou três num almoço, em pouco tempo a fome bate novamente”, explica a endocrinologista. Seu teor de calorias é muito alto, não pelo pão, como muita gente pensa, mas pela soma  dos recheios, como batata frita, bacon, maionese e os molhos em geral.
 
Frutas - “As frutas vendidas cortadas e expostas em bancas são proibidas pela Vigilância Sanitária pelo alto grau de contaminação. Apesar de saudáveis, seu consumo é muito arriscado”, enfatiza Ellen.
 
Sanduíche natural – “O problema dos sanduíches naturais é que a maioria tem maionese, que de natural não tem nada. Aliás, mesmo feita artesanalmente, a maionese é o alimento com maior risco de contaminação pela salmonela. Maionese nem na casa da mãe da gente, quanto menos na rua”, defende a médica.
 
Churrasquinhos - Os churrasquinhos são uma tentação nos finais de noite, após a balada, no boteco da esquina, quando chegamos à noite morrendo de fome ou no sábado, embalando o chopinho. Passados na farinha, com molho de tomate e cebola... Ai que vontade que dá! “Como já vêem cortados, não dá para checar a carne utilizada. Passo longe para não cair em tentação”, afirma. 
 
“Comer na rua requer bom senso. Todos estes alimentos saborosos podem fazer parte do cardápio de uma pessoa saudável, desde que sejam consumidos esporadicamente. Quando passam ao consumo rotineiro, eles podem causar comprometimento na qualidade nutricional de nossa alimentação”, conclui Ellen.
 
SERVIÇO:
CITEN - Centro Integrado de Terapia Nutricional
Endereço: Rua Vergueiro, 2564.
Conjuntos 63 e 64
Vila Mariana
São Paulo-SP
CEP: 04102-000
Atendimento: De segunda a sexta.
Horário: 08h30min às 18h30min horas.
Telefone: (11) 5579 1561/5904 3273.

 

 

 
 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Márcia Wirth

Fonte:Márcia Wirth