Rio de Janeiro, 09 de Dezembro de 2021

Plástica e “rejuvenescimento” facial

Plástica e “rejuvenescimento” facial

As alterações do aspecto do rosto têm algumas causas que vão se instalando no decorrer do tempo.

Segundo a Dra. Deusa Pires Rodrigues, especialista em cirurgia plástica e Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a alteração mais comum é causada pela diminuição de fibras colágenas e de uma substância chamada de ácido hialurônico.

Essas alterações são muito intensificadas pela ação do sol, ou seja, quanto mais a pessoa se expõe ao sol, mais cedo ela apresentará essas alterações e com maior intensidade. A rarefação das fibras colágenas diminui a elasticidade da pele e reduz o viço do rosto, deixando-o com aspecto ´´murcho´´.

Geralmente esse processo se inicia logo depois do término da adolescência e se intensifica por volta dos 30 anos. Outra alteração causada pela idade é a flacidez da pele e isso faz com que, além do aspecto ´´murcho´´, instale-se também uma diminuição da espessura dos tecidos, explica a especialista.

O conjunto dessas alterações provoca o aparecimento de sulcos mais acentuados, principalmente em torno do nariz e da boca, formando os famosos ´´bigodes chineses´´.  Esse processo evidencia-se perto dos 40 anos. A flacidez mais grave, causada pela ação da gravidade agindo numa pele que perdeu componentes, espessura e resistência, é observada por volta dos 50 anos.

Felizmente, hoje podemos contar com tratamentos adequados para cada uma dessas alterações.

É importante lembrar que, quanto mais cedo se inicia o cuidado com a pele, melhores serão os resultados. As pessoas ainda têm uma tendência a procurar tratamento somente quando o problema já está gravemente instalado, por volta dos 55 anos.

É freqüente, por exemplo, pacientes com mais de 50 anos, que nunca fizeram nada no rosto, entrarem no consultório com a disposição de realizar apenas um preenchimento ou aplicação de Botox, imaginando que o resultado será 100%.

Aliás, o resultado é 100%, mas apenas em relação à alteração que cada técnica se propõe a corrigir, e não às alterações globais. E é isso o que as pessoas procuram, ou seja, milagres, melhoras radicais utilizando apenas procedimentos minimamente invasivos.

Mas já se nota entre pacientes mais jovens, por volta dos 25 anos, uma preocupação com a prevenção. Nessa idade, em geral, o tratamento envolve a realização de peelings que promovem um estimulo à produção de fibras colágenas e elásticas, e substituição de células mortas e, principalmente o uso diário de filtro solar.

Também é possível a introdução de fios de polietileno (Fio Russo) que promovem um reposicionamento dos tecidos, envolvendo-os, e, devido à presença desses fios, ocorre um estímulo à produção de fibras colágenas e elásticas.

Já as alterações maiores, notadas por volta dos 30 anos, podem ser amenizadas também com o uso do Fio Russo ou aplicação de produtos de preenchimento.

Esses produtos de preenchimento podem ser permanentes ou definitivos, como o metacrilato, ou absorvíveis ou temporários como o ácido hialurônico e o colágeno.

A ação desses produtos é unicamente ´´tampar buracos´´ ou seja eles preenchem o que está fundo, devido ao volume que sua presença proporciona.

Agora, para os casos de flacidez profunda e grande enrugamento da face, que se nota por volta dos 50 ou 55 anos, o tratamento indicado é a ritidoplastia ou lifting. Essa técnica baseia-se no reposicionamento do sistema muscular da face, através de pontos de sustentação e retirada de excessos de pele. A abordagem é feita através de incisões que se iniciam dentro do cabelo, acima da porção superior da orelha, descendo pelo contorno da orelha, pela frente e por trás, e terminam rente ao cabelo atrás a orelha.

É evidente que quaisquer desses procedimentos estão contra indicados na presença de problemas de saúde em geral que estejam descompensados ou em casos de lesões de pele locais. Além disso, cada técnica exige um tempo diferente de recuperação.

Fio Russo, por exemplo, são três dias com um edema mais evidente, sendo conveniente manter-se afastado de suas atividades durante esse período, já na ritidoplastia, a paciente permanece por volta de quinze dias sem condições de apresentar-se em público, após os quais o edema regride 70%, podendo voltar as suas atividades, mas ainda mantendo alguns cuidados.

Particularmente no caso da ritidoplastia, caso a paciente seja fumante, recomenda-se parar de fumar três semanas antes e um mês depois da intervenção. Essa cirurgia implica em um grande descolamento de pele e isso exige que os vasos sejam adequados para levar sangue até a cicatriz.

O cigarro causa uma contração permanente dos vasos a médio e longo prazo, e durante o ato de fumar ocorre uma vasoconstrição maior (fechamento do vaso) que, se prolongada, pode levar a uma necrose (morte) do tecido que margeia a cicatriz, evoluindo para uma ´´ferida´´.

Todos estes procedimentos promovem rejuvenescimento facial aplicados independentemente da idade do paciente ou da ordem que foram expostos. Todavia, quando se opta por uma técnica que é apropriada para uma alteração que acontece aos 30 anos, em uma pessoa de 50 anos, os resultados são pobres.

Assim como é absurdo submeter uma jovem de 25 anos a um procedimento mais invasivo, como uma ritidoplastia. É preciso usar o bom senso e procurar sempre a orientação de um bom profissional, que tenha um comprometimento sério com a ética, alerta a especialista Deusa Pires Rodrigues.

Existe muita discussão e principalmente um conservadorismo hipócrita enorme envolvendo os procedimentos para rejuvenescimento, justamente por causa desta palavra. Onde já se viu querer esconder a idade!? Dizem os mais moralistas. O fato é que, esses procedimentos não causam um rejuvenescimento, e nem é essa a intenção das pacientes que os procuram. Quem tem 60 anos não vai deixar de ter 60 anos só porque operou o rosto! O que as pessoas pedem é: “Olha, eu tenho 60 anos (ou 50 ou 40), mas dá para melhorar minha aparência? ´´, ou seja, apesar da idade, há o desejo de ter uma aparência bem cuidada, agradável, harmoniosa, bonita. As pessoas associam idade com rugas, sulcos, excesso de pele.

É lógico que o tempo provoca alterações, mas isso não significa que tenhamos que parecer um deserto ácido e inóspito após determinada idade. E isso pode ser observando em pessoas que, naturalmente, chegam a idades avançadas com uma aparência agradável. Essa deveria que ser a regra, ou seja, manter hábitos saudáveis e prolongar a aparência saudável do rosto. Entretanto, o que escapa disso pode ser corrigido com a Plástica.

“Uma boa aparência é como um patrimônio histórico: o tombamento se dá para manter as características e não para abandoná-lo às intempéries. Todos sabem a idade da obra, nem por isso ela apresenta aspecto de abandono ou desleixo, pois as reformas mantêm sua aparência bem cuidada. A mesma coisa é o ser humano: Você pode ser um patrimônio histórico, mas não precisa parecer com um castelo mal assombrado!”, comenta a Dra. Deusa.

 

DRA DEUSA PIRES RODRIGUES – Especialista em Cirurgia Plástica 

Membro  Efetivo  da  Sociedade  Brasileira  de  Cirurgia  Plástica 
Rua  Doutor  Neto  de  Araújo,  320,  conj.  105 - Vila  Mariana
(11)  5084-4193  /  (11)  5084-4193

 

 

Crédito:Fatima Nazareth

Autor:Vera Morais

Fonte:Vera Morais