Rio de Janeiro, 28 de Setembro de 2020

Pacientes soropositivos podem ter filhos por meio das técnicas de reprodução assistida

“A forma mais comum e que não existe contra-indicação para a gestação é quando o homem está infectado e a mulher não. Entretanto todos podem ter filhos, desde que sejam realizados todos os exames e que tenham acompanhamento e aprovação do infectologista


Assim como na novela “Chamas da Vida”, Michelle, personagem de Luiza Curvo, conseguiu engravidar de seu namorado soropositivo Guilherme, Roger Gobeth, na vida real também é possível. Até 2005, a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva contra-indicava a gestação em casais sorodiscordante (só o homem ou só a mulher soropositivo) com Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), Vírus da Hepatite C (HVC) e Vírus Linfotrópico Humanoas Células T (HTLV), entretanto pensar em seu futuro reprodutivo foi necessário com o aumento do diagnóstico precoce, o desenvolvimento dos tratamentos e a condição de vida melhor para estes indivíduos. 

Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi, especialista em reprodução humana do Instituto Paulista de Ginecologia, Obstetrícia e Medicina da Reprodução, explica que novas técnicas de preparo do sêmen tornaram possível a gestação em casais sorodiscordantes. A forma mais comum e que não existe contra-indicação para a gestação é quando o homem está infectado e a mulher não. “O importante é estabelecer os critérios laboratoriais para o preparo e a forma de utilização do sêmen do homem infectado”. O médico explica ainda que é fundamental nestas casos realizar todos os exames, mesmo que a carga viral no sangue seja baixa ou inexistente, já que isto não elimina a possibilidade de encontrar o vírus no sêmen. “Com o resultado destes exames sendo satisfatório começa-se os exames de rotina para pacientes que desejam engravidar por meio da técnica de fertilização assistida”, diz. 

Quando a mulher está infectada a situação clínica da mulher é o fator limitante e tanto a inseminação artificial intra-uterina como a fertilização in-vitro poderão ser realizadas. Nestes casos o médico explica que o parto vaginal e a amamentação devem ser evitados para não ocorrer a transmissão vertical e os casais submetidos a estes tratamentos deverão ser acompanhados por 10 anos. Cambiaghi alerta que devemos lembrar que nestes pacientes há um alto risco para outras doenças sexualmente transmissíveis e a conseqüentemente maior possibilidade de danos tubários.  

Quando ambos estão infectados o que definirá a realização do procedimento é o estado clínico da mulher. Se a carga viral positiva for baixa em ambos os parceiros e as condições clínicas da mulher forem satisfatórias, as possíveis discrepâncias das doenças devem ser avaliadas sendo possível a gravidez pelas técnicas de reprodução assistida. Cambiaghi finaliza acrescentando que em casos como o apresentado na novela em que o homem é o paciente infectado o sêmen deve ser coletado alguns dias antes do procedimento para que haja tempo suficiente para o seu preparo e a confirmação da ausência da carga viral até o dia da fertilização. 

Sobre o Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi  

  Apesar de dedicar a maior parte de seu tempo no conhecimento e  

  tratamento da infertilidade, seu currículo demonstra a preocupação de

  acompanhar as mulheres em outras áreas da ginecologia e obstetrícia.

 

   Autor de livros médicos  direcionados ás mulheres e aos médicos, na

   área da fertilidade vem aprimorando técnicas de Reprodução Humana

   que envolvem novos exames para o diagnóstico e tratamento da infertilidade como Inseminação Artificial, Fertilização In Vitro e ICSI entre outros 

Ø       Ginecologista Obstetra especialista em Reprodução Humana e Cirurgia Endoscopia

Ø       Diretor clínico do IPGO (Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia)

Ø       Formado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santa Casa de São Paulo

Ø       Residência em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Ø       Titulo de Especialista pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (n.º 96/97)

Ø       Especialização em Videolaparoscopia, Histeroscopia e Laser na Catholic University of Leuven - Bélgica

Ø       Especialização (Avançada) em Videolaparoscopia a Laser no Institute for Reproductive Medicine - Annandale, Vírginia – USA

Ø       Pós Graduate Course - Advance Laparoscopic Surgery including Laser Endoscopy - AAGL - Chicago, Illinois, USA

Ø       Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões – Ginecologia

Ø       Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica

Ø       Pos Graduate Course - Laparoscopic Hysterectomy, incluind Retroperitoneal Dissetion: Lymphnode dissection, the ureter, Retropubic Urethropexy & Appendectomy - AAGL - Chicago, Illinois, USA

Ø       Post Graduate Course - "Surgical Approaches to Endometriosis" - AAGL 23rd Meeting, New York - New York USA

Ø       Membro da European Society of Human Reproduction and Embriology

Ø       Membro da The American Association of Gynecologic Laparoscopists

Ø       Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana

Ø       Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

Ø       Laboratory Training Program and Seminar in the are of auto Suture Surgical Staplers in General Surgery - USC - Norwalk Connecticut – USA

Ø       Prêmio Internacional - Troféu Best Video PRODUCTION "The Cambiaghi Fastener for Extracorporeal Suturing"- Secound International Gynecologic Endoscopic Film Festival & Instrumentation; Exhibition - San Diego, California – USA

Ø       Prêmio “Parceiros de Visão” - “Troféu Coruja” - Símbolo da Sabedoria Homenagem ao Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi pela iniciativa do livro de sua autoria transcrito em Braille. Grávida Feliz, Obstetra Feliz. Fundação Dorina Nowill para Cegos.

 

Crédito:Cris Padilha

Autor:Patrícia Prado

Fonte:Universo da Mulher