Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2020

Cirurgia do Diabetes é mais eficaz que tratamento convencional

Estudo comprova que Cirurgia do Diabetes

é mais eficaz que tratamento convencional

 

 

Pacientes que passaram pela cirurgia do diabetes tiveram uma queda média de 21% nos níveis de glicose no sangue após um ano. Já o tratamento convencional resultou em um aumento de 11% da taxa. Procedimento no Brasil é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina.


            Estudo realizado pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, avaliou a eficácia da cirurgia do diabetes comparada ao tratamento convencional, com remédios orais e aplicação de insulina.

            Os pacientes que se submeteram a cirurgia do diabetes tiveram, em um ano, uma queda de 21% na taxa de glicose no sangue. Já os pacientes que foram submetidos ao tratamento convencional tiveram no mesmo período um aumento de 11%. “Os resultados dos estudos são bastante promissores. É importante frisar que não se trata de uma nova técnica, conforme vem sendo comunicado à opinião pública. Identificamos que as cirurgias realizadas para obesidade promovem um controle do diabetes tipo 2 bastante eficaz. Ou seja, os procedimentos demonstraram-se mais efetivos para controle da doença metabólica do que para perda de peso”, afirma Thomas Szegö, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), segunda maior associação da especialidade no mundo com quase 1000 filiados.

            A cirurgia se mostrou eficaz também na redução do consumo de medicamentos orais e insulina. Antes da cirurgia, 84,3% dos pacientes estavam tomando medicação para controlar a doença e um ano após o procedimento, apenas 22,4% ainda faziam uso de alguma substância. No grupo de tratamento convencional, porém, a porcentagem de pacientes que necessitam de insulina ou medicamento oral saltou de 66,7% para 82% em um ano.

            Três tipos de cirurgia são comprovadas como eficientes no controle do diabetes: a banda gástrica ajustável, o by-pass gástrico e as derivações bilio-pancreáticas. As técnicas que criam um atalho para o alimento, que é desviado do duodeno e chega antes à parte final do intestino, alteram a secreção de alguns hormônios intestinais, como p.e o GLP-1, cujo aumento estimula a produção de insulina, resultando na melhora ou até mesmo no controle do diabetes tipo 2.

            A Associação Americana de Diabetes recomenda manter os níveis de glicose no sangue abaixo de 7%. Para avaliar a eficácia da cirurgia do diabetes na busca deste objetivo, os pesquisadores também analisaram os dados de um grupo de pacientes que passaram pelo procedimento cirúrgico entre 2001 a 2006 e um grupo de pacientes com diabetes controlado com remédios e insulina.

            No grupo que passou pela cirurgia, os níveis de glicose no sangue passaram de uma média de 7,5% no pré-operatório, para 5,8% após um ano, fixando-se em 6,1% após três anos. Naqueles que receberam o tratamento convencional, os níveis aumentaram de uma média de 7% para 7,8% após três anos.

            Segundo Dr. Szego, os bons resultados da cirurgia para o controle do diabetes tipo 2 devem-se, basicamente, a dois fatores: a perda de peso do paciente e, principalmente, a alterações hormonais. “Ficou cientificamente comprovado que com estas técnicas conseguimos controlar o diabetes da grande maioria dos pacientes”, afirma o presidente da SBCBM.

Segundo o CFM, a cirurgia do diabetes pode ser indicada no tratamento de pacientes diabéticos tipo 2, com IMC (Índice de Massa Corpórea - peso dividido pela altura ao quadrado ) acima de 35. Ainda está em estudo pelo CFM a liberação do procedimento para pacientes com IMC entre 30 e 35. Para pacientes com o IMC abaixo de 30 a cirurgia ainda não é indicada, porém o Brasil desponta como o país que mais investe em estudos para adaptar o método que irá beneficiar pacientes não obesos.

 

Crédito:Cris Padilha

Autor:Rafael Ernandi

Fonte:Universo da Mulher