Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2020

Brasil está atrasado em tratamento de varizes

A cirurgia de varizes, habitualmente realizada no país, se tornou rara na Europa e nos Estados Unidos
 

     
As varizes não são um problema estético, a doença é progressiva, pode causar sérias complicações, como feridas de difícil cicatrização, inchaço nas pernas, manchas na pele e dores, além de incapacitar a pessoa para as atividades diárias.

No Brasil, 35% da população acima de 15 anos sofre com o problema.

Apesar do Sistema Único de Saúde garantir aos pacientes o direito de fazer cirurgia de varizes gratuita, as filas são grandes e a demora pode agravar o problema.

A questão é: Por que não investir em tratamentos tão eficientes quanto a cirurgia, com menos custos para o governo e benefícios para os pacientes?

O Prof. Dr. Eduardo Toledo Aguiar – diretor clínico da Spaço Vascular, professor livre-docente de Cirurgia Vascular da USP, membro da ABFL – Associação Brasileira de Flebologia e Linfologia (sociedade dedicada exclusivamente ao estudo das doenças venosas e linfáticas) e da Union Internationale de Phlébologie - defende que a escleroterapia ecoguiada com espuma pode acabar com as grandes filas para tratamento nos hospitais públicos brasileiros.

Salvador, a primeira capital a oferecer escleroterapia ecoguiada com espuma a pacientes do SUS, confirma a tese de Aguiar.

Em um único dia, em média, 40 pessoas podem ser beneficiadas com esse tratamento.

São cerca de 15 minutos no consultório, não há necessidade de anestesia e o paciente pode voltar ao trabalho no mesmo dia.

Outro fator relevante é que o SUS até o momento só oferece tratamento cirúrgico de varizes, o que aumenta o custo e ocupa uma grande quantidade de leitos e salas de cirurgia.

“Na Europa e nos EUA, os médicos que indicam a cirurgia de varizes são menos de 10%.

No novo currículo estabelecido pela Sociedade Americana de Cirurgia Vascular não está incluso o ensino da cirurgia de varizes.

Como em vários aspectos, o Brasil continua atrasado.

Em 70% dos casos basta uma sessão para um resultado eficiente. Já a cirurgia requer uma avaliação geral do quadro clínico do paciente, a identificação de doenças preexistentes e uma recuperação lenta e dolorosa”, ressalta o especialista.

A clínica Spaço Vascular é pioneira no método e colaborou com o desenvolvimento da técnica e aplicação em todo o país.

“Hoje a escleroterapia tem sido aplicada com sucesso em vários locais do Brasil. Tenho realizado o procedimento há mais de 15 anos e, na clínica, já tratei mais de cinco mil pacientes com varizes de todos os graus. Durante ação humanitária feita na Nicarágua, patrocinada pela Fundação Fara, de Austin, Texas, em parceria com um médico americano foi possível tratar cerca de 200 doentes por semana”.

 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Bruna Innamorato

Fonte:Time Comunicação