Rio de Janeiro, 28 de Outubro de 2020

Aborto espontâneo nem sempre compromete gravidez

Especialista indica possíveis causas e quando a mulher

 deve recorrer à medicina reprodutiva

 

O aborto espontâneo – interrupção da gravidez sem interferência externa antes da 20ª semana – costuma acometer até 20% das mulheres comprovadamente grávidas. Há quem nem chegue a suspeitar de gravidez e muito menos de aborto, sendo que os sinais clínicos podem ser confundidos com a menstruação que ocorre com atraso.  Mulheres que já abortaram nessas circunstâncias costumam temer novas ocorrências e a impossibilidade de levarem uma gestação até o fim. Mas não é bem assim. 

“Quem já sofreu um aborto espontâneo tem um pouco mais de probabilidade de que o episódio aconteça novamente. E esse risco aumenta com a repetição. O ideal é não esperar pelo terceiro aborto não-provocado para buscar ajuda especializada, principalmente quando a paciente sabe que tem alguma propensão à infertilidade”, diz a doutora Silvana Chedid, diretora da clínica Chedid Grieco Medicina Reprodutiva, em São Paulo.  

Segundo a médica, alterações cromossômicas costumam ser a causa de metade dos abortos espontâneos. “Outras causas têm de ser investigadas, como malformação uterina, infecções, doenças autoimunes e complicações do diabetes. Mesmo quando não conhecemos as causas, cerca de 75% das mulheres poderão ficar grávidas no futuro, desde que submetidas a tratamento e acompanhamento médico”. 

A adoção de hábitos saudáveis – alimentação rica em frutas e legumes, controle dos níveis de estresse e prática regular de exercícios – é um bom aliado no fortalecimento do organismo. “Principalmente depois dos 35 anos, quando as alterações cromossômicas são mais frequentes e a mulher está mais vulnerável a doenças como o diabetes e a obesidade, é importante levar uma vida o mais saudável possível. Moderar o consumo de álcool e abolir o fumo e o excesso de cafeína pode fazer muita diferença quando se quer engravidar”, diz a especialista em reprodução humana.


Fonte: Dra. Silvana Chedid, médica ginecologista, diretora da clínica Chedid Grieco Medicina Reprodutiva, chefe do depto. de Reprodução Humana do Hospital Beneficência Portuguesa (SP). www.chedidgrieco.com.br

 

Crédito:Cris Padilha

Autor:Heloísa Paiva

Fonte:Universo da Mulher