Rio de Janeiro, 28 de Setembro de 2020

Estudo sugere que a aspirina pode aumentar a sobrevida de pacientes com Câncer de Mama


Segundo os pesquisadores, o uso regular da aspirina pode reduzir pela metade as chances de reincidência da doença após cinco anos do diagnóstico inicial
 
 
Neste momento, milhões de mulheres em todo o mundo podem se considerar sobreviventes do câncer de mama.
 
São pacientes que saíram vitoriosas de um tratamento químico pesado, que causa fortes enjôos, queda de cabelo, fraqueza e indisposição.
 
Mas sobreviver a um câncer de mama é também contar com a possibilidade de sua recorrência.
 
O medo é fundado.
 
Um dos lados mais perversos do câncer de mama é que ele é um dos tumores com mais altas chances de recidiva.
 
Metade das pacientes tratadas volta a desenvolver outros nódulos. Mas esse fato pode estar com os dias contados.
 
Um estudo americano, realizado por um grupo de pesquisadores da Universidade de Havard, sugere que a aspirina pode reduzir pela metade as chances de uma mulher que completou o tratamento contra o câncer de mama voltar a desenvolver a doença ou de o mal se espalhar por outras partes do corpo.
 
Segundo o oncologista Fernando Medina da Cunha, diretor científico da Clínica Anália Franco, isso pode acontecer devido a habilidade do medicamento de reduzir a inflamação das células do corpo.
 
“Isso acontece porque a substância ativa da aspirina (ácido acetilsalicílico) fortalece as células sadias, inibindo o crescimento de células cancerosas e diminuindo a capacidade de invasão dessas células para outras partes do corpo”, explica o oncologista.
 
A pesquisa, que durou 26 anos, monitorou a saúde de 4.164 mulheres que haviam sido diagnosticadas com câncer de mama e tomavam aspiras regularmente e comparou seus quadros clínicos com o de outras pacientes que não tomavam o medicamento.
 
O resultado mostrou que as pacientes que tomaram aspirinas de duas a cinco vezes por semana reduziram em 60% as chances de metástases e em 71% o índice de fatalidades devido ao retorno da doença. Já as que tomavam semanalmente seis ou sete comprimidos reduziram em 43% a probabilidade de o câncer se espalhar e em 64% de morrer. 
 
Os pesquisadores, no entanto, ressaltam que ainda são necessários mais estudos para determinar como a aspirina pode melhorar a sobrevida desses pacientes.
 
“É importante dizer que nenhuma paciente deve substituir o tratamento normal contra a doença pelo uso de aspirina. Além disso, não é recomendável que portadoras da doença passem a tomar aspirina regularmente, sem que seja orientada por um médico, porque a droga tem efeitos colaterais, como o estímulo de sangramentos”, ressalta Medina.
 
 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Mércia Ribeiro

Fonte:Universo da Mulher