Rio de Janeiro, 24 de Agosto de 2019

Inca deu novas recomendações sobre câncer de mama

Inca recomenda que resultado de mamografia saia em até 60 dias
Instituto deu novas recomendações sobre câncer de mama.
Mulheres entre 50 e 69 anos devem fazer exame a cada dois anos.
 
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) anunciou novas recomendações para reduzir a mortalidade por câncer de mama no país.
 
Entre as novas estratégias, a entidade sugere que toda mulher com nódulo no seio tenha direito a receber diagnóstico no prazo máximo de 60 dias.
 
Hoje em dia não existe tempo de espera definido para o resultado

“Estamos seguros de que o que está sendo recomendado pode ser realizado. Depende da sociedade aderir e dos incentivos que serão feitos”, disse Luis Antonio Santini, diretor do Inca.
 
O câncer de mama é o que mais mata mulheres no Brasil. Segundo o Inca, isso acontece porque a doença é confirmada quando já está em estágio avançado.
 
No país, são 11 mil mortes causadas por câncer de mama por ano. Entre as mulheres, a doença representa cerca de 2,5% de todos os óbitos, segundo o Inca. No entanto, em mortes por câncer, o câncer de mama é o principal causador de mortes.
 
Por isso, o Inca recomenda que mulheres entre 50 e 69 anos de idade devem fazer mamografia a cada dois anos.
 
Este rastreamento mamográfico para mulheres nessa faixa etária é parte importante da estratégia recomendada pelo Ministério da Saúde para o controle do câncer de mama.
 
Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61%. Para países desenvolvidos essa sobrevida aumenta para 73% e já nos países em desenvolvimento fica em 57%.
 
Rede pública possui 412 mamógrafos

Existem 3.315 mamógrafos em todo o país e 1.650 deles estão disponíveis à rede do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, apenas 412 (25%) pertencem exclusivamente às unidades públicas de saúde.
 
De acordo com o Inca, cerca de 70% das mulheres entre 50 a 69 anos possuem acesso à mamografia, incluindo a rede pública e a privada.
 
O Brasil pagou 1,8 milhão de mamografias pelo SUS. Dessas, 50 % foram feitas de em mulheres de 50 a 69 anos.
 
O instituto chama atenção ainda para a possibilidade de qualquer mulher, independente da faixa etária, realizar o exame.
 
Para as mulheres de grupos populacionais considerados de risco elevado para câncer de mama, ou seja, que possuam histórico familiar em parentes de primeiro grau, são recomendados o exame clínico da mama e a mamografia, anualmente, a partir de 35 anos.
 
 
Rio de Janeiro tem maior incidência
 
De acordo com o Inca, o estado com maior incidência de câncer de mama é o Rio, com 88,3 casos para cada 100 mil mulheres. No estado, a cada 100 mil mulheres, 16 morrem por causa do câncer de mama.
 
Em segundo lugar, o Rio Grande do Sul aparece com 81,57 casos para cada 100 mil mulheres e em terceiro lugar está São Paulo, com 68,04 casos para cada 100 mil mulheres.
 
“O principal fator de risco é o envelhecimento. No Rio, no RS e em SP, essa é uma característica da população. Por isso existe uma maior incidência”, afirmou, Ana Ramalho, coordenadora do Inca.
 
O instituto não estimula o autoexame das mamas como método isolado de detecção precoce do câncer de mama.
 
A recomendação é que o exame das mamas pela própria mulher faça parte das ações de educação para a saúde que contemplem o conhecimento do próprio corpo.
 
Segundo o Inca, o exame das mamas feito pela própria mulher não substitui o exame físico realizado por profissional de saúde qualificado.
 
Novas recomendações
 
1. Toda mulher tenha amplo acesso à informação com base científica e de fácil compreensão sobre o câncer de mama.
 
2. Toda mulher fique alerta para os primeiros sinais e sintomas do câncer de mama e procure avaliação médica.
 
3. Toda mulher com nódulo palpável na mama e outras alterações suspeitas tenha direito a receber diagnóstico no prazo máximo de 60 dias.
 
4. Toda mulher de 50 a 69 anos faça mamografia a cada dois anos.
 
5. Todo serviço de mamografia participe de programa de qualidade em mamografia. A qualificação, quando obtida, deve ser exibida em local visível às usuárias.
 
6. As mulheres saibam que o controle do peso corporal e da ingestão de álcool, além da amamentação e da prática de atividades físicas, são formas de prevenir o câncer de mama.
 
7. A terapia de reposição hormonal, quando indicada na pós-menopausa, seja feita sob rigoroso acompanhamento médico, pois aumenta o risco de câncer de mama.

 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Thamine Leta

Fonte:G1