Rio de Janeiro, 14 de Outubro de 2019

O que fazer ao receber o diagnóstico de câncer de mama?

Incidência da doença no Brasil é equivalente à dos países ocidentais mais industrializados
Por conta da alta incidência do câncer de mama no Brasil – a taxa da doença no país é equivalente à dos países ocidentais mais industrializados – , as brasileiras com acesso à saúde pública e especialmente à privada, a partir de uma idade determinada pelo ginecologista, passam por exames clínicos regulares e são encaminhadas aos exames periódicos como mamografia, ultrassom das mamas e até ressonância magnética, com fins preventivos.
 
Graças a esses modernos recursos, o diagnóstico de lesões cancerosas no seio, como carcinomas invasores, ou localizados – “in situ”) acontecem com uma frequência cada vez maior. 
 
Quanto mais cedo se detecta um câncer, maior a chance de cura e menos agressivos são os tratamentos.
 
O câncer de mama é caracterizado pelo desenvolvimento anormal e atípico das células do seio.
 
A divisão e reprodução celular desregulada dão origem a um tumor que, ao crescer, substitui o tecido saudável.
 
Em diagnósticos tardios, existe o risco de ocorrer metástase, que é quando o câncer de mama migra para outro local do corpo.
 
Epidemia de câncer? 
 
Mundialmente, os especialistas se dividem com relação às causas do aumento da incidência do câncer de mama. Por um lado, o envelhecimento da população, a opção por se gerar filhos mais tarde e o diagnóstico precoce da doença aumentam matematicamente e parecem explicar, ao menos parcialmente, o número de casos registrados.
 
Por outro lado, há dados irrefutáveis que tais fatores não podem ser os únicos causadores desse fenômeno.
 
O livro Anticâncer – Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais, do médico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh, David Servan-Schreiber, oferece dados valiosos que mostram que existe uma verdadeira epidemia de câncer gerada pelo estilo de vida ocidental que se iniciou na Segunda Guerra Mundial.  
 
Para além da predisposição genética e o do tabagismo (fatores importantes), outros fatores relevantes estão relacionados à dieta ocidental tradicional, com o consumo excessivo de acúcares, farinhas refinadas, carne vermelha e laticínios de animais criados em escala industrial (ou seja, que recebem hormônios), de verduras e legumes com altos níveis de pesticidas, além da pouca atividade física, alta poluição atmosférica e má gestão do estresse, com sentimentos negativos persistentes.
 
O que fazer para prevenir o câncer de mama ou sua reincidência
 
É importante ressaltar que o fator-chave para o diagnóstico e tratamento bem sucedidos do câncer de mama é a prevenção, e isso exige o autoexame cuidadoso das mamas e consultas periódicas ao ginecologista, com a realização dos devidos exames, especialmente a mamografia e outros solicitados pelo médico.
 
Nenhum alimento ou tratamento natural pode, sozinho, curar o câncer. Seguir os tratamentos e recomendações médicas é fundamental para obter sucesso.
 
Além disso, as mulheres se perguntam: o que posso fazer para diminuir meus riscos? De acordo com o Dr. David Servan-Schreiber, ele mesmo médico e paciente, que conseguiu vencer um câncer cerebral e que está saudável há sete anos, são fatores de prevenção o consumo de três xícaras por dia de chá verde; a adoção da dieta mediterrânea, cozinha indiana e asiática; o consumo de alimentos orgânicos (ou seja, sem pesticidas); de alimentos com índice glicêmico (IG) baixo; farinhas multigrãos; carne orgânica e laticínios, até três vezes por semana, de animais criados a pasto ou alimentados com farinha de  linhaça; azeite, óleo de linhaça e óleo de canola; peixes gordurosos e ovos ricos em ômega 3.
 
Um meio ambiente limpo de poluentes e fumaça de cigarro, a boa gestão do estresse (risadas, leveza, serenidade) e caminhadas de 50 minutos três vezes por semana ou de 30 minutos seis vezes por semana também contribuiriam para diminuir os riscos individuais.
 
De acordo com a nutricionista da Sare Drogarias (http://www.saredrogarias.com.br), Alessandra Rocha, a predisposição ao câncer de mama pode ser combatida através da alimentação, podendo até mesmo ajudar o paciente que passa por tratamento.
 
As frutas, legumes e verduras orgânicas são ricas em antioxidantes, assim como os produtos convencionais, mas têm a vantagem de não conterem agrotóxicos. Os alimentos de coloração vermelha, como tomate, açafrão, melancia e goiaba, entre outros, são ricos em licopeno e flavonoides. Além disso, a romã tem um papel especial neste cardápio. Fitoquímicos presentes nessa fruta inibem a ação da enzima aromatase, responsável pela produção de estrogênio – e crucial para o desenvolvimento de boa parte dos tumores na mama. Ao mesmo tempo, a soja e seus derivados (leite, tofu) contém isoflavonoides – também conhecidos como fitoestrogênios – caracterizados como compostos químicos de estrutura similar ao estrogênio humano, que podem inibir o crescimento celular e a proliferação de tumores. Todos esses alimentos não devem ser consumidos em excesso, e sim inseridos dentro de uma dieta equilibrada”, ela afirma.
 
Como se dá o processo do diagnóstico até o tratamento do câncer de mama
 
Quando o ginecologista recebe os resultados de um ou mais exames preventivos com algum achado suspeito (ou seja, que pode ou não ser câncer), em geral ele encaminha a paciente a um médico mastologista, especializado em mamas.
 
Nesses casos, a mulher costuma se apressar para agendar a consulta com esse especialista que, após analisar os resultados, pode solicitar uma biópsia a fim de diagnosticar a natureza da lesão.
 
Esse meio tempo entre a consulta com o mastologista, o agendamento e realização da biópsia e, finalmente, o resultado da análise da biópsia feita pelo laboratório costuma gerar grande ansiedade na paciente.
 
O choque
 
Ao receber nas mãos o resultado de uma biópsia indicando a palavra “carcinoma” ou, mais raramente, “sarcoma” ou “doença de paget”, a primeira reação da mulher que sabe que tais termos designam câncer é a de não acreditar; logo após, o nervosismo toma conta, e ela não sabe por onde começar.
 
O que fazer?
 
Ligar para o ginecologista?
 
Voltar ao mastologista?
 
Como aguentar a ansiedade até uma próxima consulta?
 
Qual é o estágio desse tumor e quais são as chances de cura?
 
Terei que fazer a tão temida quimioterapia?
 
Terei que me afastar do trabalho?
 
Aviso a família agora?
 
Ou espero até a consulta?
 
Todas essas perguntam passam pela cabeça.
 
Para piorar, na Internet as  informações médicas corretas não são facilmente decifráveis por leigos e há informação incorreta aos montes.
 
De acordo com Celina Moreira* (o nome da paciente foi modificado para proteger sua privacidade),  paulistana de 38 anos que passou recentemente pelo problema, sua reação imediata foi ligar para o mastologista a fim de conseguir uma consulta o mais breve possível.
 
Já no dia seguinte ao recebimento do resultado da biópsia  que constatava “carcinoma ductal in situ grau I”, ela passou pelo especialista.
 
Ela conta: “Ao ler o termo carcinoma, mal pude acreditar. Por que comigo? Ao mesmo tempo, senti uma grande força interior que me impulsinava a agir e buscar soluções o mais rápido possível”.
 
O mastologista a informou que seria necessária uma cirurgia conservadora do seio (boa notícia) mas que deixaria uma cicatriz considerável, e que a reparação estética só seria possível em alguns anos. ]
 
Além disso, ele aventou a possibilidade de radioterapia e quimioterapia após a cirurgia, e hormonioterapia com o medicamento tamoxifeno (antagonista hormonal), caso seu tumor tivesse “receptores hormonais positivos”.
 
Os tratamentos seriam passados posteriormente por um oncologista (especializado em câncer).
 
Celina decidiu então procurar um hospital referência em oncologia.
 
Após consulta com o mastologista oncologista do centro especializado, a lâmina do material coletado no laboratório foi encaminhada para uma revisão pelo hospital, que confirmou o carcinoma in situ em estágio muito inicial.
 
Logo após, um exame imunohistoquímico melhorou bastante seu prognóstico: a lesão não continha células de carcinoma ductal in situ, e sim lobular in situ, que é um tumor de baixa proliferação.
 
Também chamado de neoplasia lobular, o carcinoma lobular in situ não é um câncer verdadeiro, e sim um marcador de risco: Celina estaria num grupo de mulheres com maior risco de desenvolvimento futuro de um câncer invasivo.
 
No seu caso específico, a terapêutica foi uma cirurgia simples de remoção do nódulo (biópsia excisional), sem  dano estético ao seio, e possivelmente o uso por cinco anos do medicamento tamoxifeno.
 
Celina não teve que passar por radioterapia ou quimioterapia e, atualmente, está avaliando seus riscos futuros e os prós e contras da utilização do medicamento junto com a equipe médica responsável.
 
Força para enfrentar as etapas do tratamento
 
A grande maioria dos casos nos quais se diagnostica um câncer de mama não é tão simples quanto o de Celina.
 
No entanto, ele serve para mostrar que não é preciso se desesperar ao receber o diagnóstico.
 
Cada caso é um caso. Os tumores “in situ”, ou seja, que não invadiram tecidos vizinhos, têm os maiores índices de cura.
 
Mas a cura é  possível também para quem tem um tumor invasor.
 
Atualmente, atingir a cura do câncer de mama é mais possível do que jamais foi.
 
Necessário é manter o equilíbrio emocional para agir com rapidez.  
 
Na cidade de São Paulo, alguns dos maiores e melhores hospitais especializados em câncer aceitam tanto pacientes com convênios médicos como do SUS (Sistema Único de Saúde).
 
Apenas depois de uma bateria de exames fica definido, para o caso específico, quão agressiva será a cirurgia (cada vez mais se fazem cirurgias que conservam o seio afetado) e se serão necessários tratamentos radioterápicos e quimioterápicos (existem casos em que apenas a radioterapia é indicada, por exemplo).
 
 
 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Cecilia Loreto Mack

Fonte:Universo da Mulher