Rio de Janeiro, 15 de Julho de 2020

Presença de anabolizantes em suplementos é uma ameaça à saúde

Uma das  conseqüências indesejadas é o aparecimento da ginecomastia


Um levantamento da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, baseado em análises de 111 amostras apreendidas em academias de ginástica do interior e da capital de São Paulo, constatou que um, em cada quatro suplementos vendidos para praticantes de atividade física, possui em sua fórmula esteróides anabolizantes não declarados no rótulo.

Os produtos foram apreendidos pela polícia e pelos serviços de vigilância sanitária durante o ano de 2007 e analisados pelo Instituto Adolfo Lutz. A presença de substâncias proibidas em suplementos alimentares coloca os praticantes de atividades físicas em situação de grande risco. Os anabolizantes, quando tomados sem orientação médica, podem causar inúmeros males à saúde: acne, impotência sexual, calvície, hipertensão arterial, esterilidade, insônia, dor de cabeça, aumento do colesterol ruim, problemas cardíacos, crescimento indevido de pêlos, engrossamento da voz e distúrbios testiculares e menstruais. “Outro efeito colateral desagradável é o crescimento anormal das mamas no sexo masculino, que chamamos de ginecomastia”, afirma o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.

Além das causas fisiológicas, a ginecomastia pode aparecer em decorrência do consumo de esteróides anabolizantes, cerveja e maconha. “Presente nos anabólicos, usados para aumentar a massa muscular, a testosterona pode ser transformada pelo organismo masculino em estrogênio, o hormônio feminino. Como resultado, você vê o aparecimento de traços femininos no garoto, sendo o desenvolvimento de mamas um deles. Isso porque a testosterona, depois que é metabolizada, vira estrogênio", explica o médico.

Quando se trata dos esteróides, geralmente, a massa palpável que surge na mama masculina é unilateral, mas, após alguns meses ou anos, ela pode se desenvolver em ambos os lados, inclusive de forma assimétrica. “A deformidade dependerá do grau de comprometimento com a droga: surgem desde pequenos nódulos que não ultrapassam a margem da aréola até elevações de quatro ou mais centímetros de diâmetro, semelhantes a pequenas mamas”, diz Ruben Penteado.

Medicamentos como anti-hipertensivos ou antidepressivos também estão relacionados como possíveis causadores do crescimento de mamas nos garotos. "Essas são as causas não fisiológicas da ginecomastia. Precisamos investigar estes fatores, quando recebemos um paciente com essa condição", afirma Ruben Penteado.

Um problema comum na adolescência....

Nem todos os casos de ginecomastia têm relacionamento com o uso e abuso de anabolizantes. Há causas fisiológicas para o problema aparecer, que variam de acordo com a faixa etária. Na adolescência, o aumento das mamas costuma ocorrer por conta de uma disfunção hormonal, em que o organismo passa a produzir menos testosterona.

A maioria dos casos de ginecomastia apresenta-se na puberdade, com uma incidência de 65%, entre jovens de 14 e 15 anos. A incidência aumenta com a progressão da idade, atingindo até 30%, dos homens idosos. Os meninos na puberdade são o grupo que mais sofre com o problema, pois o corpo os faz sentir constrangidos. “Nesta fase do desenvolvimento, o jovem fica vulnerável a gozações e piadas dos amigos. O problema pode levá-los a quadros de inibição e isolamento. Muitos deixam de freqüentar piscinas e praias e evitam aparecer sem camisa em público”, diz o diretor do Centro de Medicina Integrada.

Na infância há casos raros de ginecomastia, geralmente em crianças entre 4 e 7 anos, que apresentam a Síndrome de Klinefelter, doença genética que também atrofia os testículos. "O crescimento das mamas nesse período também pode advir de tumores dos testículos ou da hipófise", alerta o médico. Quando o problema atinge a criança na primeira infância, recomenda-se a realização de exames laboratoriais marcadores de tumor e de um ultra-som.

Na idade adulta, principalmente a partir dos 40 anos, esse volume anormal nas mamas acomete 30% dos homens e pode estar associado à insuficiência renal, ao uso de medicamentos  - especialmente os indicados para tratar hipertensão, depressão e úlceras gástricas - ou mesmo ao acúmulo de gordura localizada. "Nessa fase é bem comum que a alteração seja na verdade uma pseudo-ginecomastia, propiciada pelo excesso de exercícios musculares na região peitoral na juventude", explica o cirurgião plástico Ruben Penteado.

Para tratar o problema

A prática terapêutica a ser adotada depende do diagnóstico da causa do aparecimento da ginecomastia, bem como da idade do paciente. "A operação não é recomendada para todos que apresentam aumento das mamas. É importante uma avaliação conjunta com o endocrinologista, antes de decidirmos operar um adolescente, por exemplo”, explica Ruben Penteado.

Quando a razão da ginecomastia na adolescência é associada ao desequilíbrio hormonal, a recomendação cirúrgica não é unanimidade entre os médicos. Isso porque a oscilação dos hormônios nessa faixa etária é transitória e, quando termina, o tamanho da glândula mamária pode voltar ao normal. “ Estima-se que até 65% dos jovens sofram alterações hormonais que levam à deformidade, mas apenas 7% continuariam com as mamas elevadas aos 17 anos de idade. Por isso, na maioria das vezes, com pacientes entre 12 e 15 anos, decidimos esperar até completarem 16 a 18 anos para operar ", diz o médico.


Indicações cirúrgicas 

"O estresse psicológico é a razão principal para a indicação cirúrgica, mas os resultados estéticos têm grande importância para esses pacientes, devendo-se considerar o tamanho da cicatriz e deixá-la o mais imperceptível possível", destaca Ruben Penteado. A técnica cirúrgica a ser empregada depende do tipo de ginecomastia e de sua severidade. Existem duas técnicas que podem ser utilizadas separadamente ou em combinação para resolver o problema:

·         a lipoaspiração; e 

·         a mamoplastia redutora.

Todos os procedimentos da ginecomastia são feitos de forma ambulatorial, com anestesia local e sedação. Têm duração entre 45 e 60 minutos. “Os cuidados a serem observados nos 15 dias depois da cirurgia são o uso de malha elástica e sessões de drenagem linfática”, observa o cirurgião.

“Após a cirurgia, o principal ganho é o social, o paciente fica muito mais confiante para se integrar ao seu grupo”, conclui Ruben Penteado.


SERVIÇO:

Centro de Medicina Integrada
Endereço:
Rua Tuim, 929
Moema
São Paulo-SP
Tel: (11) 5535 0830

www.medintegrada.com.br

Crédito:Cris Padilha

Autor:Márcia Wirth

Fonte:Universo da Mulher