Rio de Janeiro, 25 de Maio de 2018

Transtorno sexual: entre quatro paredes 'quase' tudo pode

Transtorno sexual: entre quatro paredes ‘quase’ tudo pode

 Dar asas à imaginação para ‘apimentar’ a vida sexual é válido e saudável, mas o equilíbrio até mesmo nessa hora é fundamental, pois o que aparentemente é excitante pode ser uma doença.

 


Tabu para uns, prazer para outros. O sexo é concebido de diferentes maneiras por cada indivíduo. Pode determinar relacionamentos e até mesmo salvar casamentos.

Além do mais, trás benefícios para a saúde, ativa a circulação sanguínea, deixa a pele mais viçosa, melhora a qualidade do sono, alivia dores de cabeça, reumáticas e menstruais.

Muitos, para apimentar o relacionamento na hora ‘H’, utilizam de artifícios e dão assas a imaginação.

O que é super saudável e aconselhado, mas assim, como tudo na vida, deve haver um equilíbrio.

Certas fantasias e o abuso da imaginação podem ser um transtorno psicológico que deve ser tratado.

A pedofilia, por exemplo, é um crime que deve ser punido com rigor.

 

A linha entre fantasia e patologia é tênue, por isso o esclarecimento e a observação são fundamentais.

Segundo a médica e psicanalista, Soraya Hissa de Carvalho, a sexualidade é uma área significativa do comportamento de uma pessoa e revela muito sobre sua personalidade.

“A sexualidade pode ser compreendida como uma das formas do indivíduo se expressar, de se relacionar”, diz a médica.

 

Os transtornos sexuais, conhecidas também como parafilias, e antigamente chamadas de perversões sexuais, são atitudes sexuais diferentes daquelas permitidas pela sociedade, sendo que as pessoas que as praticam não têm atividade sexual normal, ou seja, a sua preferência sexual "desviada" se torna exclusiva. Mas as pessoas parafílicas podem apresentar mais de um tipo de transtorno ao mesmo tempo.

Segundo a psicanalista, a doença se manifesta tanto em pacientes psicóticos quanto nos aparentemente normais.

Em geral, os transtornos sexuais são mais comuns em homens.

E o tipo que mais manifesta neles é a pedofilia. “É importante esclarecer que, em graus menores, todos os tipos de perversões são encontrados em todos os indivíduos, porém, o importante é avaliar o que determinado tipo de fantasia perversa está significando na dinâmica de cada um”, afirma Soraya.

A perversão sexual mais cruel e criminosa é a pedofilia.

Segundo a médica, esse tipo de transtorno se caracteriza por pensamentos e fantasias eróticas ou atividades sexuais com crianças.

“A pedofilia é encontrada em pacientes que têm sua estima bem baixa e sofrem de transtorno grave do narcisismo. A atividade sexual com crianças é uma maneira de manter elevada sua frágil auto-estima. No entanto, provocam dano irreparável à criança”, ressalta a médica.

A criança vítima de abuso sexual normalmente desenvolve uma perda violenta da auto-estima, tem a sensação de que não vale nada e adquire uma representação anormal da sexualidade.

Ela pode ainda se tornar muito retraída, perder a confiança em todos adultos e chegar até a considerar o suicídio.

E o pior de tudo, a criança pode se transformar em adulto que também abusa de outras crianças.

Segundo dados da Secretaria Especial dos Direitos Humanos do Governo Federal, somente neste ano, até outubro, o Disque 100, recebeu 25 mil denúncias.

Por dia, o sistema recebe aproximadamente 1.600 ligações.

As denúncias de abuso têm crescido também na internet.

O aumento, entre janeiro e setembro deste ano, foi de 75% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da SaferNet Brasil, organização de combate à pornografia infantil na internet.

Outros tipos de transtorno sexuais

Exibicionismo – quem sofre desse transtorno costuma mostrar seus genitais a qualquer pessoa e, principalmente, em locais públicos. Eles sentem prazer com as reações das pessoas que o vêem fazendo isso. Geralmente não existe qualquer tentativa de atividade sexual com o estranho, só exibição mesmo.

Fetichismo – esse transtorno se caracteriza pela utilização de objetos para a prática sexual. A pessoa que sofre desse transtorno precisa se masturbar ou exige que seu parceiro use de objetos, como calcinhas, sutiãs, luvas ou sapatos, do contrário não consegue se excitar e realizar o ato sexual.

Fetichismo transvéstico – é a necessidade da utilização de roupas femininas por homens heterossexuais para o prazer sexual sendo que, em situações não sexuais, se vestem de forma normal. “É importante ressaltar que o fetichismo transvéstico também só é diagnosticado como uma parafilia quando é feito de forma repetitiva e exclusiva para obter prazer sexual”, explica Soraya.

Frotteurismo – para obter o prazer sexual, o homem precisa esfregar e tocar suas partes íntimas em outra pessoa, completamente vestida, e sem a permissão dela. Isso ocorre em locais onde há grande concentração de pessoas, como ônibus e metrôs.

Masoquismo e Sadismo – no primeiro só há prazer sexual quando se é submetido a sofrimento, físico e emocional. Já no sadismo, há a necessidade de fazer e ver o parceiro sofrer, fisicamente ou emocionalmente. Segundo Soraya, os atos sadomasoquistas só serão considerados parafilias quando forem repetitivos e exclusivos sendo que, quando eles ocorrem ocasionalmente, dentro de um relacionamento sexual normal, são apenas formas alternativas de prazer, e não uma perversão.

Voyeurismo – quem sofre desse mal tem a necessidade de observar outras pessoas, sem elas saberem, nos momentos íntimos.

Zoofilia – quando se sente atraído por sexo com animais.

Necrofilia – prazer sexual com cadáveres.

Tratamento

Segundo a psicanalista, as parafilias decorrem de alterações psicológicas durante as fases do crescimento e desenvolvimento do indivíduo.

O tratamento se constitui em acompanhamento psicológico e uso de alguns medicamentos.

Soraya ressalta que, tirando a pedofilia, que é um crime, só é considerado transtorno quando aquele desejo e fantasia é a única forma de sexualidade, e que a tentativa do indivíduo de recorrer a outras formas para obter prazer sexual geralmente são fracassadas, o que levará a pessoa a continuar insistindo na mesma atitude.

Crédito:Cris Padilha

Autor:Liège Camargos

Fonte:Universo da Mulher