Rio de Janeiro, 23 de Novembro de 2019

O aspartame sob suspeita

O aspartame sob suspeita
Desde que o modelo de beleza tornou-se cada vez mais magro, a partir dos anos 60, os adoçantes entraram no cardápio diário, sobretudo das mulheres. Primeiro, vieram os adoçantes à base de ciclamato e a sacarina. Na década de 70, porém, pesquisas levantaram a suspeita de que o consumo dos dois tipos de adoçantes poderia aumentar as chances de ter câncer. Houve desmentidos, mas mesmo assim, embora ciclamato e sacarina sejam ainda os mais consumidos, muitos consumidores preferiram buscar outra solução: o aspartame entrou em alta. Agora, a polêmica sobre o melhor adoçante ganha força com o lançamento do livro “Verdades e mitos nas doenças cardiovasculares”, do cardiologista Sergio Puppin. Ele cita estudos americanos e diz que o consumo prolongado de aspartame pode levar à esclerose, males de Parkinson e Alzheimer, dores de cabeça e tumores.


Para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), porém, o aspartame só faz mal se for consumido em grande quantidade: 48 envelopes de 1g por dia. Mas Puppin diz que o uso de pequenas doses tem efeito cumulativo:

— Os sintomas vão aparecer muitos anos após o consumo.

As pesquisas que levantam suspeitas sobre o aspartame foram feitas apenas em animais pelo neurocientista John Olney, da Universidade de Washington, e seus seguidores. A falta de dados científicos em seres humanos é o principal argumento dos que defendem o aspartame, entre eles o endocrinologista Walmir Coutinho, da Associação Brasileira de Estudos da Obesidade (Abeso):

— Nada contra-indica o aspartame, exceto para portadores de uma deficiência rara, a fenilcetonúria. Eu não o recomendo a grávidas porque o feto pode ter a doença — diz Coutinho.

Mas, na dúvida, há cardiologistas como Fernando Cruz que preferem não arriscar:

— Não recomendo a meus pacientes, nem a meus filhos. Mas ainda falta uma pesquisa científica que reúna consumidores do adoçante e de placebo e estudá-los durante dez anos.

O nutricionista Leonardo Haus diz que os estudos são questionáveis, mas a alta toxidade do adoçante já seria motivo para evitá-lo:

— Eu condeno o consumo.
Os prós e contras dos adoçantes

O ciclamato e a sacarina já foram proibidos e liberados após suspeitas de provocar câncer. O aspartame ocupa agora o lugar do vilão entre os adoçantes. Mas a indústria de adoçantes descobriu a stévia, um arbusto da família dos crisântemos, típico da fronteira do Brasil com o Paraguai e conhecido dos japoneses desde 1905.

A planta é até 15 vezes mais doce do que o açúcar doméstico, mas, para o médico Marcos Tambascia, chefe do Departamento de Endocrinologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nem sempre satisfaz, por ser mais amarga que o aspartame. Segundo ele, embora não seja uma molécula criada em laboratório, como o aspartame, a stévia não pode ser considerada a única solução. Além da stévia, o mercado oferece os seguintes adoçantes:

AÇÚCAR LIGHT: Uma colher de chá de açúcar light equivale a três de açúcar, mas contém aspartame, sacarina, ciclamato de sódio, lactose, steviosídeo, fenilalanina e a própria sacarose do açúcar refinado.

ASPARTAME: Para alcançar esta dosagem tóxica, o sujeito tem que tomar 48 envelopes de aspartame por dia durante muitos anos, segundo a Anvisa.

CICLAMATO DE SÓDIO: Supostamente cancerígeno para quem ingerisse 100ml por dia e não algumas gotas.

MELADO DE CANA: Rico em minerais, especialmente em ferro (cada 100g contêm 8,4mg de ferro). O nutricionista Leonardo Haus diz que uma colher de chá de 5g (15 calorias) adoça e nutre muito mais que a do açúcar comum (19 calorias).

AÇÚCAR MASCAVO: Tem o mesmo valor calórico do melado, mas metade do ferro (4,2mg para cada 100g).

AÇÚCAR COMUM: Desmineralizador do organismo, sobrecarrega o pâncreas. É o mais calórico, com 19 calorias em 5g.

FRUTOSE: É o açúcar das frutas, indicado para diabéticos. É calórico como o açúcar, mas adoça 30% a mais.

Crédito:Anna Beth

Autor:Marcia Cezimbra, Luciana Sobral e Regiane Monteiro

Fonte:O Globo