Rio de Janeiro, 18 de Agosto de 2019

Amor patológico - Você sabe o que significa?

Uma briga entre o ex-marido e o namorado da agente da Polícia Federal Angelina Filgueiras, irmã de Angela Bismarchi, terminou na morte de duas pessoas.
 
O capitão da Marinha Márcio Luiz Fonseca, entrou na casa da ex-mulher e a encontrou com o atual namorado, Gilmar Wagner Milato.
 
Após uma briga corporal entre os dois homens, a mulher foi baleada no peito.
 
Em seguida, o namorado teria atirado contra o ex-marido de sua companheira.
Se trata de mais um caso noticiado, em curto espaço de tempo, de crime passional.
 
Diante disso, acredito que vale a pena ser levantada a questão do amor patológico, que pode levar ao extremo de um crime passional.
 
Amor patológico tem este nome erroneamente.
 
Provavelmente por que as pessoas, que sofrem deste mal, não conseguem ver diferenças entre amor e paixão.
 
Na verdade o nome adequado é paixão patológica.
 
Após certo período o cérebro se acostuma, e vicia, em determinadas produções químicas e, o que antes era apenas uma paixão, torna-se patológico.
 
Quando detectado, na origem, pode ser cuidado com maior eficiência pelo processo de ressignificação, ou seja, alteração da interpretação dos fatos traumáticos que a pessoa mantém, como base em suaformação de personalidade. O toque psicoterapeutico, nos momentos iniciais, a reversão do processo pode se dar por completo.
 
Mas, após instalada a paixão patológica , pode se tornar crônica e o tratamento é bastante dificultado, podendo, até mesmo ser necessário prescrição médica e não só terapia.
 
Os sinais desse sentimento tão prejudicial, para quem sente quanto para o objeto de desejo, são demonstrados, também, através de expressões faciais e corporais.
 
Por vezes são sutis, mas é possível detectar o desequilíbrio de uma pessoa, evitando situações de incômodas e até devastadoras.
 
As pessoas que sofrem
Como esses transtornos psíquicos, muitos outros podem comprometer a felicidade e a qualidade da vida de relação.
 
O sofrimento é significativamente aumentado pela consciência que tem a pessoa que sofre de seu problema, ou seja, ela sabe que não deveria estar amando a pessoa problemática, mas, ao mesmo tempo, não consegue deixá-la, ou deixar de amá-la.
 
Diante da impotência de deixar quem a faz sofrer, a pessoa recorre a alguns mecanismos de defesa do Ego, principalmente a negação, onde o problema é sistematicamente negado. Ou ainda à racionalização, onde passa a argumentar que a pessoa irá, sem dúvida, melhorar com o amor e carinho que recebe, que fora os momentos de crise a pessoa é ótima, etc.
 
No fundo essa pessoa sofredora sabe que nenhum dos dois mecanismos de defesa são verdadeiros, mas alivia a sensação de culpa ou impotência acreditar neles.
 
Em muitos casos, quem vive com a pessoa portadora de Amor Patológico ou outro transtorno capaz de produzir sofrimento e não consegue desvencilhar-se desse relacionamento, é também portadora de alguma dificuldade emocional.
 
Trata-se da chamada Codependência.
 
Codependência é um transtorno emocional definido e conceituado por volta das décadas de 70 e 80, relacionada aos familiares dos dependentes químicos, alcoolistas e mesmo com transtornos de jogo patológico ou outros problemas sérios da personalidade.
 
Codependentes são pessoas que vivem em função da pessoa problemática, fazendo desta tutela obsessiva a razão de suas vidas, sentindo-se úteis e com objetivos apenas quando estão interagindo com a pessoa problemática.
 
As pessoas codependentes têm baixa auto-estima, intensos sentimentos de culpa e não conseguem se desvencilhar do relacionamento complicado.
 
O que parece ficar claro é que pessoas codependentes vivem tentando ajudar a outra pessoa, esquecendo, na maior parte do tempo, de cuidar de sua própria vida, auto-anulando sua própria pessoa em função do outro e dos comportamentos insanos desse outro.
 
Essa atitude patológica costuma acometer mães (e pais), esposas (e maridos) e namoradas(os) de portadores de Amor Patológico, Alcoolistas, Dependentes Químicos, Jogadores Compulsivos, alguns Sociopatas, etc.

O Amor Patológico, por sua vez, é predominante em mulheres e se caracteriza pela excessiva desconfiança e possessividade, em geral decorrentes de baixa auto-estima.
 
 
 
 
 

Crédito:Ana Lúcia Bomfim

Autor:João Oliveira

Fonte:Universo da Mulher