Rio de Janeiro, 20 de Julho de 2017

Relacionamento pela Web, dá certo?

Em tempos de globalização, os relacionamentos amorosos pela internet são cada vez mais frequentes. E a própria web mudou muito a maneira das pessoas se relacionarem entre si, em meio a comunicações por mensagens instantâneas.

psicoterapeuta Maura de Albanesi também lembra que namorar pela web se tornou viável para aqueles que se queixam da dificuldade de encontrar alguém, ou mesmo, para os casais que moram em cidades, estados ou países diferentes.

E será que é possível haver uma relação saudável pela internet?

Maura responde que sim.

"Isso porque querendo ou não, quando você está falando com alguém na web, você se solta mais e consegue até ser mais sincero, se houver, claro, a confiança entre os envolvidos. Então, cria-se um vínculo bacana", declara.

Contudo, ela ressalta outra questão: a ‘estranheza’ que pode suceder quando o casal se encontra na vida real. "Depois de tantas conversas pela web, quando as pessoas se encontram pessoalmente, é normal ocorrer um estranhamento e até uma certa timidez. No contato físico, a troca é diferente, temos o olhar, os gestos e a linguagem corporal. Há quem questione se é possível se relacionar com aquela pessoa de ‘carne e osso’, isso porque ela já está muito acostumada pelo contato através da tela", explica.

Esse receio acontece, muitas vezes, segundo a psicoterapeuta, pelo fato de que pela web, as pessoas tendem a criar muitas expectativas, projetam e idealizam um perfil de parceiro, que muitas vezes, pode não corresponder às características do outro na vida real.

"O contato físico também ativa outros sentidos e você percebe coisas que não havia notado na outra pessoa, enquanto falavam pelo chat", complementa.

Maura lembra que, inclusive, caso seja o primeiro encontro do casal na vida real, é importante se atentar a questões de segurança, como escolher locais públicos, até para conseguir estabelecer uma relação de confiança, que é construída gradualmente.

"O contato tête-a-tête ajuda a criar esse laço aos poucos. E a partir disso uma relação saudável pode surgir", explica.

Como lidar com a distância e o ciúme?

Uma das questões mais complicadas para esse tipo de relacionamento, especialmente em épocas como o dia dos namorados, é lidar com a distância entre o casal.

"Em datas como essas, a internet viabiliza esse contato e proximidade entre ambos. É claro que existe a saudade do contato físico, mas ela também pode trazer um momento gostoso para reviver os momentos especiais".

Para ‘driblar’ essa saudade, Maura cita que as pessoas precisam nutrir a gratidão.

"Significa sentirem-se agradecidas por terem vivido esse momento. A saudade traz a alegria pelas circunstâncias vividas. A pessoa está distante, mas existe aquela linda sensação que o outro provocou em você e que perdura até agora. Isso embala, isso é gostoso", destaca.

Quanto à frequência de encontros presenciais, a especialista observa que é uma questão muito complexa, pois depende da rotina do próprio casal, além de outros fatores. "Mas se tivermos de estabelecer uma frequência, podemos pensar em no mínimo uma vez por mês, mas nem sempre isso é possível", conclui.

E quanto ao ciúme?

Será que costuma ser maior nesse contexto?

"No caso de pessoas muito ciumentas, a distância intensifica esse sentimento. Isso se justifica, porque o ciumento é controlador, então, quando o outro está distante, ele não consegue controlar a pessoa, por isso o ciúme aumenta. Contudo, as pessoas menos ciumentas não sofrem muito com isso", explica.

Os riscos de um relacionamento online

Como citado antes, o encontro na vida real pode frustrar expectativas, especialmente, se a pessoa idealizou um tipo de perfil e percebeu que essas características não são compatíveis "além das telas", como destaca Maura.

Por isso, a especialista lembra que é importante não adiar muito esse encontro físico.

"Se a pessoa permanecer muito tempo no mundo virtual [no imaginativo], no momento em que ocorre o contato real, há uma discrepância do que foi imaginado e do que realmente é. Tudo isso pode criar uma ruptura. A pessoa pensa estar se relacionando com o ‘perfil ideal’, o que ela projetou em sua mente, mas quando percebe que a situação é outra, frustra-se", afirma.

Maura ressalta ainda a possibilidade de o indivíduo preferir estar com o outro apenas pela web.

"Ela não se habitua ao mundo real, já está tão acostumada a ter aquela relação pela internet, além de já ter criado e idealizado a ‘pessoa dos seus sonhos’ no ambiente virtual. Ela vive esse contexto de imaginação. Portanto, o contato físico é importante para trazer a realidade", destaca.

A psicoterapeuta ressalta que durante a relação no âmbito virtual, a pessoa lida com a menor possibilidade de frustração, porque ela idealiza o outro e releva coisas que no contato físico dificilmente relevaria.

"A frustração vem de tudo aquilo que eu achava que era e não é. O virtual aumenta as projeções, mais do que no real e as frustrações são facilitadas", afirma.

Como evitar que a relação fique "morna"?

Não deixar a relação "esfriar" é a principal dificuldade e desafio para qualquer relacionamento, de acordo com Maura.

"A pessoa deve ser altamente criativa, investir em passeios, promover encontros diferentes e mudar a rotina. É bom propor a curiosidade e trazer novidade. O casal erra quando diz que já conhece o outro e sabe tudo o que parceiro quer e deseja. Mesmo que você conheça bem seu par, é possível se surpreender ao propor algo novo à relação", finaliza.

 

 

Maura de Albanesi é mestre em Psicologia e Religião pela PUCSP, Pós-Graduada em Psicoterapia Corporal, Terapia de Vivências Passadas (TVP), Terapia Artística, Psicoterapia Transpessoal e Formação Biográfica Antroposófica, atua com o ser humano há mais de 30 anos. www.mauradealbanesi.com.br.

 

 

 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Letícia Veloso

Fonte:Holding Comunicações