Rio de Janeiro, 18 de Abril de 2019

Novembro Azul é papo sério

Câncer de próstata é o segundo mais frequente em homens

Apesar dos índices não serem bons, a saúde do homem nem sempre é colocada em pauta.

O novembro azul vem, justamente, para discutir uma das doenças mais comuns para o público masculino: o câncer de próstata.

Listada entre as três patologias mais incidentes, a doença apresenta dados alarmantes.

Segundo pesquisa realizada em 2015 pela Coalizão Internacional para o Câncer de Próstata - IPCC, 47% dos homens com a doença em estágio avançado desconhecem e não dão importância aos sintomas.

De acordo com a ONG britânica Cancer Care, 1,1 milhão de homens são afetados pelo câncer de próstata e a enfermidade provoca 307 mil mortes no mundo, todos os anos.

Segundo dados de pesquisa feita nesse ano pela Sociedade Brasileira de Urologia, na capital mineira as estatísticas não são das melhores: 73% dos belo-horizontinos nunca se consultaram com especialistas em saúde masculina, uma estatística pior que a média nacional, na qual 51% dos entrevistados com mais de 45 anos nunca foi a um urologista.

"Os brasileiros ainda apresentam muita resistência em procurar um urologista, principalmente, os mineiros, mais conservadores. Ainda existem muitos mitos a respeito do exame que, na verdade, é super rápido, não passa de 20 segundos", explica o urologista da Clínica Origen, Bernardo Xavier.

O médico ressalta que não há como se prevenir, mas é muito importante detectá-la precocemente. "Quando a doença é descoberta cedo, as chances de cura são muito altas, podendo chegar a 90%". Segundo Xavier, homens a partir dos 50 anos devem fazer exames de próstata anualmente. Já aqueles que possuem algum fator de risco, devem iniciar os exames a partir dos 45.  Idade e histórico familiar são os dois dos principais fatores que podem levar à doença.

Sintomas

O câncer de próstata se manifesta de forma silenciosa, por isso a necessidade da prevenção para que ele seja descoberto em estágio inicial.

"Existem exames que podem ser realizados em pessoas que não possuam indícios ou sintoma da doença, são chamados de exames de rastreamento. Como o câncer de próstata, usualmente, só causa sintomas quando em estágio avançado, somente a prevenção pode detectar a doença de forma mais precoce" afirma Marcus Castilho, radio-oncologista da Radiocare, centro avançado de radioterapia do Hospital Felício Rocho.

Em fases iniciais, a patologia é assintomática.

Em estágios mais avançados, o indivíduo pode ter dificuldade para urinar, alterações da freqüência urinária e, ainda, ter sangue nas fezes ou urina, ou dores ósseas quando já em situação de metástase (quando o câncer se espalha para outros órgãos).

Tratamentos

O tratamento varia de paciente para paciente e depende do estágio da doença, idade, probabilidade de cura e, expectativa de vida. Cirurgia, radioterapia e terapia hormonal são os procedimentos mais indicados.

Ao ser detectado precocemente, a observação é um dos procedimentos mais recomendáveis para tumores de características pouco agressivas.

Outras opções são a realização da cirurgia ou de radioterapia.

Quando optado pela observação, o médico acompanha de perto o paciente para indicar algum tratamento específico nos casos em que os exames mostrem uma possível piora dos parâmetros do câncer.

Para aqueles que descobrem a doença em estágio avançado, cirurgia, radioterapia e hormonioterapia são aplicadas individualmente ou combinadas. Já em fase metastática, o tratamento é feito pela terapia hormonal.

"Existem técnicas que, por uma série de fatores, são aplicáveis para alguns e para outros não. Cada organismo reage de uma forma", afirma Marcus Castilho.

Para o tratamento da doença, a braquioterapia é um dos recursos mais utilizados.

O procedimento, que evita a cirurgia, é benéfico pelo fato de levar a radiação ao local exato do tumor.

"É feita uma distribuição de pequenas sementes de iodo radioativo por toda a próstata do paciente, com o objetivo de diminuí-lo ou erradicá-lo por completo", conta o oncologista.

Esse tipo de tratamento também causa um índice menor de disfunção erétil, uma vez comparado com a cirurgia.

 

Riscos de disfunção erétil e infertilidade?

A maior preocupação masculina é que seja acometido pela incontinência urinária e impotência sexual. Realmente, devido a alguns tratamentos, existe essa possibilidade, por isso a importância do diagnóstico precoce.

"Quanto mais cedo ele for diagnosticado, menos agressivo será o tratamento e, logo, menos riscos de ocorrer a disfunção erétil", orienta Roque.

Tratamentos como radio e quimioterapia podem fazer com que a fertilidade do homem seja afetada.

"Para aqueles que sonham em ser pais, a capacidade de ter filhos pode ser mantida, se, ao receber o diagnóstico, ele recorrer ao congelamento de espermatozoides, um procedimento simples e garantido", afirma Selmo Geber, professor titular da UFMG e médico da Clínica Origen. 

 

 


 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Bruna Aguiar

Fonte:Hipertexto