Rio de Janeiro, 29 de Junho de 2022

Muito além do prazer!

Um raio-x das DSTs com a sexóloga Cristina Silva

 
A palavra de ordem é prevenção, segundo dados do Ministério da Saúde (OMS), 10 milhões de brasileiros sofrem com algum tipo de Doença Sexualmente Transmissível (DST).
 
Outro dado que merece um alerta, vem do Hospital das Clinicas de São Paulo, 65% das mulheres pegam HPV (papiloma vírus humano) logo na primeira relação sexual.
 
O lema "prevenir é melhor do que remediar", se faz presente e atual.
 
Para evitar que você seja a próxima vítima, a sexóloga Cristina Silva tira todas as dúvidas sobre o assunto.
 
UNIVERSO DA MULHER – Quais são os sintomas de uma DST?
CRISTINA SILVA – As doenças sexualmente transmissíveis (DST) são causadas por vários agentes, assim como as formas de transmissão, principalmente, por contato sexual sem uso consciente de preservativo (camisinha), seja feminina ou masculina, com uma pessoa que esteja infectada e, geralmente, se manifestam por meio de feridas, corrimentos, bolhas ou verrugas. Algumas DSTs são de fácil tratamento e com soluções rápidas, em outros casos requer tempo e o tratamento pode ser mais difícil. Portanto, o velho ditado popular se faz necessário e mais atual do que nunca, "quem vê cara, não vê coração e nem DST", logo a prevenção e essencial.
 
UNIVERSO DA MULHER – Quem é mais vulnerável a contrair uma DST, o homem ou a mulher?
C.S. – Ambos podem contrair uma DST, porém, as mulheres, em especial, devem ser bastante atenciosas, já que, em diversos casos, não são fáceis distinguir os sintomas das reações orgânicas comuns de seu organismo.  Algumas delas, quando não diagnosticadas e tratadas a tempo, podem evoluir para complicações graves e até a morte.
 
UNIVERSO DA MULHER – Transar no período da menstruação e sem uso de preservativo aumenta a possibilidade de contaminação?
C.S. – Transar menstruada e sem preservativo favorece e muito a contaminação. Isso acontece porque o sangue é a principal forma de transmissão de doenças como hepatite, sífilis e Aids. Durante o ato sexual, pelo atrito, ocorrem pequenos ferimentos na pele que favorecem a absorção dos transmissores dessas doenças.
 
UNIVERSO DA MULHER– Se durante as preliminares, houver contato entre órgão Sexual, sem o uso de preservativo, existe possibilidade de contaminação?
C.S. – Não necessariamente nessa ordem, só pelo fato de encostar é difícil, mas podem ocorrer contaminações se o órgão sexual estiver eliminando secreções contaminadas.
 
UNIVERSO DA MULHER – É possível identificar se o parceiro (a) possui alguma DST?
C.S. – Na maioria dos casos é impossível verificar algumas doenças, pois no momento da relação sexual as pessoas costumam se lavar mascarando os sintomas. Algumas até usam roupas que disfarçam os sinais. O ambiente pode estar escuro, o local pode ser inadequado e a própria excitação colabora para a falta de precauções. Observe bolinhas, verrugas, secreções, mau cheiro, feridas e qualquer outro ferimento. Em todos esses casos, é melhor evitar a relação sexual e buscar ajuda de um profissional.
 
UNIVERSO DA MULHER – Sexo oral e anal é mais perigoso do que a penetração vaginal? Por quê?
C.S. – Para cada caso existe uma explicação distinta, no sexo oral a boca entrará em contato com as secreções do pênis, da vagina ou do ânus que poderão ter HPV, HIV, uretrites e sífilis. Já no sexo anal, é pouco mais perigoso, pois a mucosa anal absorve com maior facilidade qualquer transmissor de DSTs que a vaginal. Na relação anal é mais fácil sofrer pequenas lesões da mucosa pelo maior atrito e pela não lubrificação natural que a vagina tem.
 
UNIVERSO DA MULHER – Usar o preservativo só no ato da penetração é válido para evitar gravidez e prevenir DSTs?
C.S. – A camisinha deve ser colocada antes de qualquer contato com secreções do parceiro e deve ser usada em tempo integral durante a relação sexual. O homem pode eliminar espermatozóides na secreção que sai durante a excitação, antes da ejaculação. O contato da pele em preliminares e brincadeiras sexuais pode transmitir Herpes, HPV, entre outras DSTs.
 
UNIVERSO DA MULHER – Usar de forma errada a camisinha feminina facilita a contaminação? E no caso dos homens, se a camisinha estourar, os riscos são os mesmos?
C.S. – Sem dúvidas, no caso da camisinha feminina, ela perde a função de proteção. Na masculina, o órgão sexual entra em contato direto com as secreções, porém, quanto menor o tempo de contato das genitálias sem a camisinha, menores são os riscos de contaminação.
 
UNIVERSO DA MULHER – Qual marca de camisinha é segura?
C.S. – O preservativo masculino é um produto de certificação obrigatória. Por isso, em todos os produtos deverá constar o selo do INMETRO e do órgão credenciado que o certificou. A camisinha passa por um rigoroso processo de avaliação constante, garantindo ao consumidor segurança e qualidade. Quem deve fiscalizar são os usuários, pelos riscos que estão expostos, se a lei não for cumprida.
 
UNIVERSO DA MULHER – Há riscos de pegar uma DST em banheiros públicos?
C.S. – É difícil, porém, não impossível haver contaminação nestes locais, mesmo assim, evitar encostar partes do corpo em sanitários com resíduos de urina e fezes. Lavar bem as mãos antes e depois de manusear os genitais é indispensável para a prevenção de doenças.
 
UNIVERSO DA MULHER – Beijar na boca e usar objetos de uso pessoal do parceiro pode transmitir DSTs?
C.S. – No caso do beijo pode haver a transmissão do HPV do tipo Condiloma Acuminado (conhecido também como crista de galo, crista de jacaré ou verruga genital). Já com os objetos pessoais, isto é muito difícil de acontecer, por um fator muito importante, os vírus e bactérias não resistem a esses ambientes por mais de alguns segundos.
 
De qualquer forma, nunca compartilhe roupas íntimas, toalhas, sabonetes e vestimentas que entram em contato com suas genitais.
 
A sexóloga finaliza dando uma dica a ser seguida, em especial pelas mulheres.
 
"Escolha bem seu parceiro (a) sexual. O visual, a conversa e o carro podem esconder doenças. Não julgue só pelo que vê! Ter relações sexuais é um direito de todos desde que este ato seja consciente e seguro. Ame primeiro a si mesma", aconselha Cristina.

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Toni Rodrigues

Fonte:Universo da Mulher