Rio de Janeiro, 29 de Setembro de 2020

Ácido Hialurônico

Uso indevido de ácido hialurônico faz crescer número de casos de complicações após procedimentos estéticos

Especialistas alertam para a escolha do profissional e cuidados básicos para o tratamento; curso vai mostrar extensa literatura sobre gravidade dos maus resultados

A luta com o tempo é constante, e as tentativas de se manter sempre jovem fazem parte da cultura de grande parcela da sociedade. Fisicamente, as rugas no rosto mostram o passar dos anos, e são, por vezes as vilãs no mundo da estética. No entanto, podem ser combatidas em procedimentos nada agressivos, desde que feitos de maneira responsável. Uma leve correção na linha do tempo que vai deixando suas marcas em cada um.

O aumento na procura de tratamentos é regular, e cada vez mais as pessoas que tentam rejuvenescer buscam eliminar as rugas por meio do preenchimento facial com ácido hialurônico, que garante um resultado imediato. O ácido é uma substância natural que o nosso corpo deixa de produzir com o avançar da idade. Mais de 50% do ácido hialurônico do nosso corpo está na pele, é ele quem une as nossas células e deixa o tecido mais liso e elástico, além de hidratado. Com a menor concentração da substância, ocorre o ressecamento e o aparecimento das rugas.

O problema está, então, na forma de aplicação do ácido hialurônico nos procedimentos estéticos. A maior busca por tratamentos traz como consequência, por conta da falta de cuidados, o crescente número de complicações decorrentes do processo, que podem causar danos graves à pele e à saúde do paciente. Existem, na literatura médica sobre este tipo de procedimento, relatos de infecções, edemas e até necrose da área atingida.

A doutora Gabriela Munhoz, dermatologista, explica, contundo, que os riscos são pequenos se o procedimento for realizado por um profissional credenciado, feito em boas condições e dentro das e exigências prévias para cada paciente.

"É importante que a pessoa procure um médico de confiança, e o especialista deve estar ciente da quantidade correta para aplicação. A recuperação é muito rápida, e não deve ter nenhum problema, no máximo algum hematoma ou inchaço leve", afirma a doutora. "É essencial, porém, ficar atento às contraindicações, como para as pessoas com infecções, doenças auto imunes ou acne em atividade. O paciente não pode ter feito tratamento dentário nos 15 dias que antecedem a aplicação, nem ter preenchimento definitivo no rosto", alerta Gabriela.

Para os dias após o tratamento com o ácido hialurônico, as recomendações são evitar colocar as mãos no rosto, mas mantê-las limpas e evitar o uso de maquiagem no dia da aplicação.

Para a doutora Fernanda Cavallieri, radiologista e especialista em ultrassonografia, é indispensável que qualquer sintoma fora do padrão normal de recuperação dos pacientes seja investigado e diagnosticado urgentemente.

“O manejo inicial correto de um efeito adverso evita a maioria das complicações, e melhora significativamente o prognóstico”, explica, sobre a importância de não deixar nenhuma complicação avançar para quadros mais graves.

Uma das barreiras para se traçar a relação aprofundada entre número de procedimentos e os casos de complicações é a falta de informação. Segundo a doutora Maria Fernanda Tembra, dermatologista, as empresas que vendem produtos injetáveis não liberam números. Assim, a Sociedade de Cirurgia Plástica e a Sociedade de Dermatologia possuem apenas estimativas, as que mostram que a procura é crescente. A doutora explica também que falta um parâmetro mais objetivo para realização do procedimento estético.

“O Brasil ainda não tem uma regulamentação clara em relação aos procedimentos injetáveis. A regulamentação hoje é feita pelas sociedades de cada categoria de profissional de saúde”, explica a dematologista.

 

Crédito:Luiz Affonso

Autor:Gabriela Munhoz

Fonte:Goldoni Conecta